Autores: Ernandes Rodrigues do Nascimento e Maria Auxiliadora Soares Padilha

Introdução
O acesso ao ensino superior nunca foi tão disponível como nos tempos atuais. Em um passado não tão distante, esse nível de formação era exclusivo para as elites brasileiras, oriundas de um ensino fundamental e médio de alta qualidade.
No Brasil, a primeira universidade surgiu por volta dos anos 1912, mas registros mostram que, um século antes, foram criadas as primeiras escolas de medicina, engenharia militar, pintura, escultura, desenho e arquitetura (ALVES, 2007; 2011; ALVES; PASCUETO, 2008; CACETE, 2014; SEMESP, 2015; SOUZA; 2008).
Nas décadas seguintes, à passos lentos, outras universidades foram criadas, mas somente em 1961, por meio da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), o Governo fundou as Universidades Federais em vários estados brasileiros. Contudo, somente após 1970 a busca por esse nível de formação se expandiu.
Pelo fato das Universidades Estaduais e Federais não conseguirem atender a demanda contínua por formação superior, diversas instituições de ensino superior (IES) foram criadas, sobretudo nos últimos 10 anos, ultrapassando a quantidade de duas mil IES no território nacional, deixando de ser um ambiente próprio para a elite e se popularizando, principalmente a partir de programas de financiamento estudantil do Governo Federal (ALVES, 2007; 2011; ALVES; PASCUETO, 2008; CACETE, 2014; SEMESP, 2015; SOUZA; 2008).
O crescimento exponencial da educação superior ultrapassou a barreira da presencialidade, estendendo-se também à educação a distância, a qual aumentou mais de 35% nos últimos anos (SEMESP, 2015). Atualmente, ingressar em uma faculdade ou universidade ficou mais acessível, principalmente pela quantidade de oferta de cursos nas modalidades presenciais, semipresenciais e a distância, tornando o ensino superior mais próximos às classes mais populares.
Os primeiros registros da educação a distância (EAD) datam de 1833, na Suécia, através de um curso de contabilidade. E, dez anos depois, iniciaram os cursos por correspondência na Inglaterra, utilizando-se dos serviços postais. Em 1856 foi a vez dos alemães terem contato com a modalidade e, só em 1874, os cursos a distância chegaram aos Estados Unidos da América. Contudo, somente em 1982 a modalidade chegou aos cursos universitários, iniciando pela Universidade de Chicago.
Aos poucos a educação a distância foi se expandindo pelo mundo, chegando ao Brasil em 1891 como curso de datilografia, passando pelas Escolas Internacionais em 1904 e pela rádio e televisão em 1923. Contudo, ela só foi regulamentada para utilização no ensino superior em 1996.
Há mais de 100 anos a educação a distância está presente no Brasil, mas apenas nas últimas décadas voltou a se destacar, graças às tecnologias digitais de informação e comunicação, possibilitando levar a formação superior aos lugares mais remotos, desde que se tenha sinal de TV ou internet. No passado, contava-se com suporte de apostilas, fitas cassetes e correspondências. Hoje, utiliza-se de plataformas digitais, ambientes virtuais modernos, recursos de gamificação, aplicativos para celulares, smartphones e tablets, além das iniciativas com a realidade virtual.
Apesar do avanço tecnológico e das iniciativas das instituições de ensino superior em oferecer uma educação de qualidade, por vezes, muitas variáveis são deixadas de lado, tais como: estilos de aprendizagem, metodologias ativas, gamificação, aprendizagem experiencial, ambientes simulados, adaptative learning, conteúdos personalizados a partir da avaliação diagnóstica, entre outras. Não se utilizar destas variáveis nos ambientes virtuais de aprendizagem significa não acompanhar as mudanças sociais, profissionais e educacionais presentes no contexto atual. Assim, pode-se analisar que o progresso dessa modalidade vem acontecendo, pois a cada dia novos modelos de ambientes educacionais são pensados para potencializar a aprendizagem nessa modalidade.
Por outro lado, desde 2001 as IES podem introduzir disciplinas virtuais nos cursos presenciais, limitando-se à 20% carga horária total (BRASIL, 2001). A partir dessa data, outras portarias foram publicadas pelo Ministério da Educação (MEC) enfatizando a integração da EAD no ensino presencial (BRASIL, 2004; 2016), tornando obrigatória a avaliação presencial nas disciplinas virtuais (BRASIL, 2016) e, posteriormente, ampliando essa oferta em até 40%, desde que a IES seja credenciada para a oferta de cursos totalmente a distância e que tenha os mesmos cursos em ambas as modalidades, reconhecidos e com conceitos satisfatórios (BRASIL, 2018).
Com a possibilidade de inserir disciplinas virtuais em cursos presenciais, muitas IES perceberam a possibilidade em reduzir custos operacionais criando disciplinas comuns em todos os cursos e transformando-as em virtuais. Contudo, muitos foram os problemas, dentre os quais destacamos: a) utilizaram o mesmo conteúdo das disciplinas presenciais nas ofertas virtuais, sem adaptações, sem considerar as necessidades específicas da modalidade; b) implantaram as disciplinas virtuais sem preparar as pessoas para a mudança, gerando insatisfação e rejeição; c) muitos professores que atuavam em uma única área ou disciplina que foi convertida para o modelo virtual, foram demitidos, pois a IES precisaria de único professor para produzir os conteúdos; d) ambientes virtuais de aprendizagens (AVA) complexos, dificultando a rotina dos estudantes e o trabalho de tutoria dos professores. Sendo esse último item o nosso objetivo de discussão.
A partir da evolução das tecnologias digitais de informação e comunicação e sua integração aos processos de ensino e aprendizagem, os AVA passaram ser utilizados também nas disciplinas presenciais, dando suporte aos professores e estudantes para compartilhamento de conteúdo e extensão da própria aprendizagem. Assim, os ambientes virtuais de aprendizagem deixaram de ser exclusivos da educação a distância ou das disciplinas virtuais e passam a fazer do cotidiano da educação superior.
Nascimento (2013) apresenta alguns indicadores de qualidade e faz um comparativo entre os LMS (Learning Management System) – Sistemas de Gestão da Aprendizagem) utilizados por oito IES durante janeiro e fevereiro de 2010, destacando pontos importantes e essenciais em todo o processo de aprendizagem virtual. Porém, nos últimos dez anos, diversos outros LMS foram criados ou ganharam força no mercado educacional, especialmente pelo aumento da oferta da educação a distância, dentre os quais destacamos: Blackboard – um dos AVA mais caros comercializados no Brasil, Canvas – LSM Americano e recém chegado ao país, EdModo – AVA criado nos EUA e disponibilizado gratuitamente para uso por professores e estudantes, Google Classroom – Sala de aula virtual criada pelo Google e que vem ganhando destaque entre professores, por sua facilidade de uso, por ser intuitivo aos estudantes.
Contudo, apesar de muitas IES ainda não terem implementado um AVA institucionalmente, vários professores, por conta própria, utilizam diversas ferramentas tecnológicas na condução de suas aulas, dentre elas encontramos o Google Classroom, o que nos levou a seguinte inquietação: quais são os desafios enfrentados pelos professores e estudantes ao utilizarem a sala de aula Google?

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Você acabou de ler parte da introdução do Capítulo publicado no livro Educação a Distância no Ensino Superior – Ensino Híbrido, organizado pelas professoras Kátia Cilene Silva e Querte Terezinha Conzi Mehlecke.

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